E se, em vez de serem consideradas apenas “futuros cidadãos”, as crianças fossem reconhecidas como agentes políticos no tempo presente? E se a ideia de crianças como seres incompletos, em preparação para a vida adulta integral, pudesse ser substituída pelo entendimento de que são sujeitos capazes de produzir conhecimento e cultura, imagens e ideias que apontem soluções para a vida comum? E se, além de reconhecer a exclusão das crianças do debate público como uma falha estrutural da democracia, criássemos efetivamente espaços para que suas vozes, percepções e invenções pudessem se desenvolver e ser escutadas?
Ao longo da modernidade, cristalizou-se a ideia de infância como uma etapa essencialmente preparatória para futuros trabalhadores e cidadãos, reduzindo as crianças a seres incompletos, objetos de pedagogia, controle e cuidado. Ao mesmo tempo em que foram transformadas em símbolos de futuro, tiveram suas capacidades de transformar o presente reprimidas, ao não serem consideradas como reais e potentes interlocutoras em suas famílias, comunidades e cidades.
Inspirada pelo desejo de criar uma plataforma para ressaltar e nutrir a força política e transformadora das infâncias, a 15ª Mostra 3M de Arte apresenta A Cidade das Crianças, primeira edição dedicada prioritariamente às pessoas crianças, mantendo-se aberta e acolhedora para visitantes de todas as idades.
Reunindo quatro artistas convidadas e duas selecionadas por edital, A Cidade das Crianças apresentará seis obras públicas inéditas concebidas como dispositivos de encontro, jogo e negociação, ativando a potência das brincadeiras como forma simultânea de diversão, reflexão e experimentação coletiva.
Ao centralizar as infâncias, a mostra afirma a importância de escutar e fortalecer suas contribuições na invenção da vida coletiva nas cidades.
Bernardo Mosqueira (Rio de Janeiro, 1988) é curador e escritor. É um dos fundadores e gestores do Solar dos Abacaxis, espaço independente para arte, educação e transformação social no Rio de Janeiro; vencedor da 9ª edição do Prêmio Lorenzo Bonaldi para curadores com menos de 35 anos; idealizador e diretor do Prêmio FOCO Bradesco ArtRio desde 2013.
Foi responsável por dezenas de curadorias no Brasil e no exterior, além de projetos expositivos experimentais junto ao Solar dos Abacaxis.
Ana Clara Ribeiro Simões Lopes é estudante de graduação do curso de História da Arte na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde desenvolve atividades de pesquisa como bolsista de Iniciação Científica. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Fundamentos e Crítica das Artes.
Igor Simões é curador, historiador da arte e professor brasileiro, cuja atuação se concentra na arte moderna e contemporânea, desenvolvendo uma série de pesquisas voltadas às histórias artísticas e intelectuais da diáspora africana nas Américas, com especial atenção ao conceito de Amefricanidade.
Em 2023, foi curador-geral da exposição Dos Brasis: Arte e Pensamento Negro (São Paulo, Brasil), a mais abrangente mostra dedicada a artistas negros brasileiros. Nesse mesmo ano, foi curador convidado do Instituto Inhotim (Brasil), onde realizou as exposições Mestre Didi: Os Iniciados no Mistério Não Morrem e
Fazer o Moderno, Construir o Contemporâneo: Rubem Valentim e
O Direito à Forma.
Foi curador adjunto da 12ª Bienal do Mercosul (Brasil) e bolsista do programa Connecting Art Histories, da Getty Foundation. Também integra o conselho editorial da revista The Center, publicação da National Gallery of Art (Washington, Estados Unidos), e foi pesquisador visitante do Clark Art Institute (Estados Unidos).
Em 2024, co-curou, ao lado de Andrea Giunta, a exposição Rosana Paulino: Amefricana, no Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires – MALBA (Argentina). Sua trajetória curatorial inclui ainda projetos como The Ocean is the Axis(México), As formas do Oceano (Portugal), além de colaborações com museus, galerias e instituições culturais no Brasil e no exterior. Em 2025, foi um dos palestrantes convidados do simpósio Kerry James Marshall, Histories, na Royal Academy (Reino Unido). Recentemente, foi curador da exposição Brasil Beyond Brazil, apresentada pela 154 Art Fair, em Nova York.
Seus textos e ensaios curatoriais foram publicados por museus e instituições culturais da América Latina, Europa e Estados Unidos, e tem ministrado palestras, conferências e cursos em museus e universidades de diversos países.
Clarissa Diniz é curadora, escritora e educadora na área de artes. Professora adjunta da Escola de Belas Artes da UFRJ. Mestre em história da arte pela UERJ e doutora em antropologia cultural pela UFRJ. É professora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
Foi editora da revista Tatuí e publicou inúmeros catálogos e livros, a exemplo de Crachá – aspectos da legitimação artística (2008) e Gilberto Freyre (2010; em coautoria com Gleyce Heitor).
Entre as curadorias e cocuradorias mais recentes, destacam-se Montez Magno: Algúria (Pinacoteca, São Paulo, 2023), Histórias Brasileiras (Masp, São Paulo, 2022), Raio-que-o-parta: ficções do moderno no Brasil (Sesc 24 de Maio, São Paulo, 2022), À Nordeste (Sesc 24 de Maio, São Paulo, 2019) e Dja Guata Porã – Rio de Janeiro Indígena (MAR, 2017).
A Cidade das Crianças
Set/Out 2026
São Paulo/SP
Entrada Gratuita