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Artistas

Artistas da
15ª Mostra
3M de Arte

Andréa Hygino

Artista Convidada

Andréa Hygino (Rio de Janeiro, RJ, 1992) é artista visual, arte-educadora e professora. Formou-se em Artes Visuais na UERJ e é mestre em Linguagens Visuais pela UFRJ.

A escola é território do seu trabalho, que tem a aprendizagem como interesse principal. Andréa investiga o ambiente escolar com uma prática que questiona os processos de alfabetização, adestramento, disciplina e repetição, e é no aluno desobediente que ela reconhece o lugar da crítica e da criação. Essas inquietações transformam a educação em gesto conceitual e propositivo, como em sua curadoria educativa da 14ª Bienal do Mercosul, em 2025.

Participou de residências e exposições no Brasil e no exterior, em instituições como JA.CA (Nova Lima, MG), Bag Factory Artists’ Studios (Joanesburgo, África do Sul), Kunstverein Bielefeld (Alemanha) e Artistes en Résidence (Clermont-Ferrand, França). Venceu o Prêmio FOCO ArtRio (2022), o 3º Prêmio SeLecT de Arte e Educação (2020, ao lado de Luiza Coimbra) e o Prêmio PIPA (2025).

A obra

Aula Suspensa

Nesta edição, a artista apresenta a instalação “Aula Suspensa”, em que carteiras escolares
estão penduradas como balanços, dispostas em círculo. Ao deslocar a carteira de sua função
disciplinar, Hygino transforma um dos principais instrumentos da escola em um convite à
experimentação coletiva, fazendo do movimento uma condução e nova condição para o
pensamento. O móvel feito para sentar e aprender agora estimula que o corpo se mova.

O gesto condensa um entendimento que atravessa todo o pensamento da artista: a alfabetização
e o estudo não como gestos de retenção (que fixa, memoriza e demanda), mas justamente seu
oposto – gesto que solta, oscila, balança. O balanço deixa de ser apenas uma imagem da
infância para tornar-se uma forma de produzir escuta, negociação e presença compartilhada.
Nessa ágora imaginada pela artista, crianças se reúnem para debater, balançar e deliberar.

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avaf

Artista Convidado

avaf (assume vivid astro focus) é um coletivo de artistas fundado em 2001, de formação variável. O avaf trabalha com uma vasta gama de mídias e confronta códigos culturais arraigados e questões de gênero e política com uma superabundância de cores e formas. O trabalho parte de temas como liberdade de expressão, direitos civis, classe, gênero e identidade nacional, e questiona os pressupostos sobre autoria e sobre o papel da figura do artista — o próprio pseudônimo já faz parte desse modo de trabalhar coletivamente. A cor conduz uma linguagem universal que envolve o público e o coloca dentro da experiência.

Em 2026, avaf inaugurou seu primeiro parquinho para crianças no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Já teve exposições e projetos de arte pública no Brasil e no exterior, em instituições como The High Line (2026), MASP (2024), Bass Museum (Miami, 2024), a Bienal de São Paulo (2008), o MoMA (2008) e a Whitney Biennial (2004). Está nas coleções do MASP, MAM São Paulo, MAM Rio, Centre Pompidou (Paris), MoMA e Whitney Museum (Nova York).

A obra

arcyria vulpicida amanita favolaschia

Para esta edição, avaf apresenta a obra inédita “arcyria vulpicida amanita favolaschia”, três escorregadores conectados por redes, pintados com seres meio fungo, meio líquen, meio flor – formas sem categoria fixa que se transmutam com o movimento de quem desce.

As redes permitem que as crianças alcancem os escorregadores em diferentes alturas, e é nessa estrutura que a obra revela seu desenho político: sem regras fixas e sem mediação, as crianças precisam negociar entre si a ordem e a direção da descida.

A vez (essa instituição elementar do brincar, que toda criança conhece e negocia desde sempre) precisa ser inventadade novo a cada subida. avaf instala ali uma situação real de negociação entre semelhantes, com consequências palpáveis para o indivíduo e o coletivo, devolvendo às crianças algo que a cidade raramente lhes oferece: um espaço genuíno para negociar o comum.

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Castiel Vitorino Brasileiro

Artista Convidada

Castiel é artista plástica, escritora e psicóloga clínica formada na Universidade Federal do Espírito Santo e Mestra em psicologia clínica pela PUC-SP.

Em sua prática multidisciplinar, estuda assuntos como transmutação, liberdade e cura. Seu pertencimento familiar na diáspora Bantu-brasileira é o fundamento articulado em suas pesquisas. É autora do livro “Quando o sol aqui não mais brilhar: a falência da negritude” (2022).

Participou de exposições coletivas e individuais no Brasil e internacionais, como a 35ª Bienal de Arte de São Paulo. Sua mais recente exposição individual aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, com o título de “Eterno Vulnerável” no Solar dos Abacaxis. Atualmente, realiza seu projeto de longa duração “Kalunga: a origem das espécies” disponível no site: https://kalungatheoriginofspecies.com

A obra

A cor do sol, do segredo e da descoberta

Nesta exposição, a artista apresenta “a cor do sol, do segredo e da descoberta”, um de seus “espaços perecíveis de liberdade”: dois grandes meios círculos revestidos por pinturas e mosaicos de espelhos. Ao retornar ao mosaico, Castiel reencontra uma prática ligada tanto às suas primeiras experiências de criação (anteriores às formulações teóricas que hoje atravessam sua pesquisa) quanto à elaboração de memórias que insistem em permanecer fragmentárias. Os espelhos incorporados à superfície refletem o entorno e os corpos que se aproximam da obra, tornando-os parte de sua composição, em permanente transformação e reflexo do contexto.

Pensados como estruturas para brincar, esconder-se e reaparecer, os meios círculos convidam crianças e adultos a habitar a obra de diferentes maneiras. Mais do que um objeto a ser observado, esse espaço perecível de liberdade se completa na presença de quem nele se vê refletido e o atravessa, fazendo do encontro, da imaginação e da brincadeira parte de sua própria forma.

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Isabela Prado

Artista Selecionada

Isabela Prado (Belo Horizonte, 1973) é mãe do Antônio, da Cora e do Jorge, artista visual, pesquisadora e professora. Graduada em gravura e desenho pela UFMG, mestre em Artes Visuais pela Indiana University (EUA), é doutoranda no PPGARTES/UERJ. Sua prática investiga a relação entre o indivíduo, a paisagem e o meio ambiente, e busca trazer à luz o que se mantém vivo, mesmo quando invisibilizado.

A artista dedica particular interesse àquilo que o traçado urbano soterra e faz esquecer, como os rios que correm sob as cidades, questão que atravessa seus projetos como Entre Rios e Ruas (desde 2006), contemplado com o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2011 e a intervenção urbana Sobre o rio, que sinaliza, com 230 placas de esquina, os córregos invisibilizados na área central de Belo Horizonte.

Foi finalista do Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas em 2019 e participou de residências artísticas em instituições como Ragdale Foundation (EUA), Shatana International Artists Workshop (Jordânia), Casa 13 (Argentina) e Al-Mahatta International Artists Workshop (Palestina). Expôs no Brasil e no exterior, teve trabalhos publicados no Chicago Art Journal e na revista Tatuí e atualmente é professora da Escola de Belas Artes da UFMG

A obra

Sonhar é preciso

Nesta edição, a artista apresenta a instalação “Sonhar é preciso”, composta por manilhas de concreto atravessadas por longas formas azuis, em alusão aos rios e córregos canalizados sob as ruas de São Paulo. Ao atravessar e manipular esses elementos, as crianças são convidadas
a imaginar as águas ocultas, os rios que seguem correndo sob o chão que pisamos.

Partindo da curiosidade e da imaginação, a artista transforma o brincar em uma forma de revelar aquilo que a urbanização tornou ausente, sugerindo que a cidade também se reinventa pelas relações que nela estabelecemos. Ao acompanhar o curso imaginado das águas, quem brinca é convidado a perceber que aquilo que desaparece de vista não deixa de existir, aguarda apenas outras formas de ser percebido.

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Juca Fiis

Artista Selecionado

Juca (Rio de Janeiro, 1989) trabalha no encontro entre arte, arquitetura e educação, com uma prática dedicada ao trabalho colaborativo, muitas vezes com crianças. Sua investigação trata a mediação e o aprendizado como matéria da própria obra, e não como etapa posterior a ela.

Participou de residências artísticas e educacionais, incluindo DocumentaFifteen (Kassel), ART OMI (Hudson, NY), Demonstra (Lisboa), QMA (Viena), Pivô (São Paulo), Fahrender Raum (Munique) e o Museo Tamayo (Cidade do México). Sua experiência em educação museológica inclui atuação no departamento de Educação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e como consultor educacional no Museu do Amanhã. Juca Fiis foi convidade a apresentar seu trabalho em simpósios e palestras em locais como Universidade de Hildesheim (Alemanha), Drawing Projects (Reino Unido), Museu de Arte Moderna do Rio e Oficina Francisco Brennand (Brasil).

A obra

Que Onda

Nesta edição, o artista apresenta a instalação inédita “Que Onda”, formada por duas estruturas equipadas com mecanismos de giro que permitem a crianças acionar coletivamente uma corda de pular. Entre elas, um espaço livre acolhe o jogo, enquanto caixas percussivas distribuídas
ao redor convidam outros participantes a marcar o ritmo da brincadeira.

Algumas crianças batem corda, outras pulam, outras batem o compasso com tambores. O jogo acontece na sincronização dos gestos, produzindo uma ordem coletiva que parece depender menos de regras estabelecidas e mais da atenção umas às outras.

Em “Que Onda”, uma brincadeira conhecida torna-se um dispositivo público de encontro e encaixe. Fazer ondas, aqui, é um exercício de negociação de ritmos e de invenção de formas de encontro na cidade, na qual diferentes formas de participação precisam encontrar, continuamente, um modo de coexistir.

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Rommulo Vieira Conceição

Artista Convidado

Rommulo (Salvador, BA, 1968) é artista visual cuja produção se desenvolve entre instalação, escultura, objeto e desenho. Sua pesquisa investiga criticamente a arquitetura moderna e os dispositivos que estruturam o espaço urbano, examinando como formas aparentemente neutras organizam relações de circulação, permanência, controle e pertencimento. Ao deslocar esses elementos de suas funções originárias, o artista transforma dispositivos utilitários em construções poéticas que suspendem a funcionalidade e convidam o público a experimentar tensões entre liberdade e restrição, presença e ausência, memória e transformação.

Desde 2000 vive em Porto Alegre, onde realizou mestrado em Poéticas Visuais na UFRGS. Participa de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior desde 1998. Entre suas principais participações estão a 35ª Bienal de São Paulo, a 8ª e a 10ª Bienais do Mercosul, Axe Bahia: The Power of Art in an Afro-Brazilian Metropolis (Fowler Museum, Los Angeles, 2018) e Dos Brasis: Arte e Pensamento Negro (SESC Belenzinho, São Paulo, 2023). Suas obras integram importantes coleções públicas como Inhotim, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAC-USP, MARGS e MACRS. É representado pela Galeria Aura, em São Paulo.

A obra

Junta

Nesta edição, o artista apresenta “Junta”, uma casa suspensa de cores vibrantes, acessada por uma escada de madeira. Evocando as casas na árvore que povoam o imaginário infantil, sua estrutura parte de desenhos de árvores realizados por crianças, convertendo esse repertório comum em um espaço comum. Ao tomar o desenho infantil como projeto arquitetônico, o artista entrelaça imaginação, coletividade e construção.

No centro da casa suspensa, uma mesa redonda organiza o espaço. Se a casa na árvore costuma ser pensada como um lugar de encontro exclusivo para crianças, “Junta” a transforma em uma estrutura de negociação e deliberação, em que o brincar inspira a copresença, a convivência e a troca com formas fundamentais para a construção da vida coletiva

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